“Cabo Verde está a ser o farol da inclusão no continente africano”

A afirmação é da consultora/formadora, Célia Sousa, numa entrevista à Rádio Educativa, após ter ministrada uma formação de capacitação de 50 técnicos das equipas de educação especial a nível nacional, decorrido de 9 a 20 de julho.

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Esta formação enquadra-se na implementação do novo projeto educativo com foco na melhoria dos serviços educativos e das respostas que tem vindo a ser dadas aos alunos com necessidades educativas especiais, mediante a aprovação de normativos e a criação de um sistema de sinalização das crianças, assim como, o reforço das equipas de educação especial existentes e por criar, através de formações específicas.

Para a formadora, que é doutorada em Ciências da Educação, Especialidade Comunicação, Cabo Verde está a fazer uma mudança de paradigma nas respostas educativas e, quando se fala de educação inclusiva, fala-se de escolas que devem dar respostas a todos, porque eles são essencialmente do sistema educativo.

“Uma mudança de paradigma numa sociedade não se faz só porque um decreto de lei surge, é um processo. No entanto, é importante referir que Cabo Verde está a ser o farol da inclusão em África, porque um país que se dispõe a lançar uma legislação num continente onde existem 84 milhões de pessoas com deficiência, de facto só posso dar-lhe uma salva de palmas”, refere.

Segundo Sousa, sem o decreto-lei seria completamente impossível avançar. Por vezes precisa-se que saiam as legislações, para que deem alguma força para que o processo seja implementado.

“É evidente que tudo isto surge porque Cabo Verde, nas últimas décadas, tem feito experiências, um caminho, já tem um processo. Agora importa que todos os agentes educativos estejam envolvidos. Não basta ter um conjunto de professores/técnicos, é preciso envolver as delegações do Ministério da Educação, os serviços centrais e, no fundo, é preciso envolver-se um país. É preciso que o país pense que respeitar a diferença começa nos bancos da escola. Se nos bancos das escolas se tiver a capacidade de respeitar àqueles que são diferentes, com certeza vamos ter uma sociedade mais rica”, salientou.

A consultora tem a responsabilidade de deixar pronto todo o sistema de sinalização e o respetivo regulamento, assim como a criação da legislação que vai implementar as equipas multidisciplinares de apoio à educação inclusiva.

“Deixar todo esse processo pronto, que está praticamente terminado, em conjunto com a equipa da Direção Nacional de Educação e dotar os professores/técnicos de todo esse processo, para que percebam que, mesmo não estando a legislação pronta em setembro, no início do ano letivo, devem estar preparados para esse novo processo", frisou Célia Sousa.

 

Fonte: Rádio Educativa